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BRASIL GLOBAL

Martha E. Ferreira
Economista, Consultora, Professora e Palestrante
A Tribuna - Setembro 2012

   O mundo exportava US$ 6,456 trilhões, em 2000, e esse resultado pode ter chegado a US$ 16 trilhões, em 2011.
   Os 05 maiores exportadores mundiais, no ano passado, foram a China (11,75%); EUA (9,69%); Alemanha (9,13%); Japão (4,69%); e Holanda (3,87%), com o Brasil ocupando a 21ª posição (1,6%). Os 05 maiores importadores foram os EUA (13,5%); China (10,55%); Alemanha (7,91%); Japão (4,78%); e França (3,86%), com o Brasil ocupando a 19ª posição (1,39%).
   O comércio exterior brasileiro vem obtendo excelente desempenho, na última década. As exportações têm se destacado em função do ciclo virtuoso das commodities, que tiveram elevação dos preços e aumento das quantidades, fruto da expansão da economia global. As importações também estão em ascensão, conseqüência direta da contínua e forte valorização do Real, e desindustrialização brasileira decorrente, principalmente, do nefasto custo Brasil.
   As exportações brasileiras atingiram US$ 256,041 bilhões, em 2011, e os principais destinos das vendas foram a China (17,3%); EUA (10,1%); Argentina (8,9%); Holanda (5,3%); e Japão (3,7%). A pauta brasileira de exportação é essencialmente de produtos básicos e se somarmos o valor de apenas 06 deles - minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café -, teremos 47% do faturamento total das vendas do País.
   A dependência de fatores externos, do nosso comércio internacional, está relacionada ao fato de que 71,01% das exportações brasileiras são compostas por commodities, cuja demanda e preço não são controladas pelo País, mas sim, pelo humor dos mercados; e a pauta de exportação brasileira pode ser caracterizada como exportadora de empregos, porque ao exportar matérias primas, o beneficiamento delas irá gerar empregos no exterior.
   Tamanha dependência é algo preocupante, sobretudo no momento em que a China, maior comprador desses produtos do Brasil, reduz sua perspectiva de crescimento; os EUA têm lenta retomada econômica; e a crise na Zona do Euro sofre seu maior aprofundamento. Então, tudo indica que haverá queda nas cotações das commodities, em 2012, reduzindo o montante das exportações.
   As importações brasileiras atingiram US$ 226,251 bilhões, em 2011. As principais origens dos produtos importados são EUA (15,01%); China (14,49%); Argentina (7,47%); Alemanha (6,72%); e Coréia Sul (4,46%). Os principais produtos comprados, pelo País, foram combustíveis e lubrificantes; equipamentos mecânicos, elétricos e eletrônicos; automóveis e peças; e produtos químicos.
   As importações vão crescer e essa tendência permanecerá enquanto perdurarem condições internas favoráveis, representadas pelo Real valorizado, ampliação da demanda doméstica, expansão do crédito interno, manutenção de elevado nível de emprego, aumento real de salários e inflação em níveis civilizados. Mas, o resultado disso é que o superávit da balança comercial não deverá passar de meros US$ 3 bilhões, em 2012, contra US$ 29,790 bilhões do ano passado.
   A via marítima é o principal meio de transporte das exportações (96%) e importações (88,72%) do Brasil, mas o sistema portuário nacional exibe sucateamento da infra-estrutura, atraso tecnológico e ineficiência operacional, em relação aos outros países do mundo. Esse fato, por si só, justifica a exigência de investimentos do Governo Federal, em infra-estrutura portuária, integrando-a aos outros modais de transportes, assim como, na cadeia logística do setor, sob pena de ficarmos para trás, cada vez menos competitivos, nesse mundo globalizado.