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ECODESENVOLVIMENTO

Martha E. Ferreira
Economista, Consultora de Negócios, Professora, Palestrante e Articulista
Publicado no Jornal A Tribuna - Março 2014

   A Economia do Meio Ambiente é um campo relativamente novo e surgiu na literatura econômica, nos Estados Unidos, a partir dos anos 50 e começou a se formar por causa das pressões ambientais. Ela estuda o impacto das relações econômicas sobre o meio ambiente e a forma de se obter o máximo da natureza, sem destruí-la.
   Nas últimas décadas, ficou claro que os recursos ambientais começaram a escassear: o ar puro foi ficando cada vez mais poluído, a água potável menos disponível, os solos mais degradados, espécies da fauna e flora em extinção acelerada, minerais cada vez mais difíceis de serem extraídos, a biodiversidade sendo perdida e os acidentes naturais cada vez mais comuns e devastadores.
   Em 1972 foi publicado The Limits to Grow, denominado mais tarde de Relatório Meadows. Sua conseqüente reflexão apontava para um cenário catastrófico: a impossibilidade de perpetuar o crescimento econômico devido à sua incompatibilidade com a preservação dos recursos naturais. Passou-se a discutir, então, acelerar ou desacelerar o ritmo do crescimento econômico, colocando limites nele, devido à finitude dos recursos da natureza e crescente aquecimento global.
   A desaceleração da economia, através da adoção de medidas visando reduzir o aquecimento global, recebeu muitas críticas. Acreditava-se que, por trás desse argumento, estariam ações restritivas sobre as empresas, e que elas causariam desemprego e queda nas taxas de crescimento.
   Daí, surgiu o Desenvolvimento Sustentável, do polonês Ignacy Sachs. Na visão desse ecossocioeconomista, o desenvolvimento só pode ser alcançado, se construído sobre 03 bases de sustentação: sucesso econômico; aumento igualitário do bem-estar social; e preservação ambiental.  
   Observar que as áreas mais degradadas e poluídas ficam desvalorizadas, incentivando sua ocupação por uma população de baixa renda, que consome menos, e cujos gastos com saúde pública aumentam, na medida em que os problemas com a poluição do seu meio ambiente avançam. Fica evidente que o meio ambiente afeta e é afetado pela economia, e que o bem estar das pessoas depende de uma interação ecossocioeconômica equilibrada.  
   Isso, porém, não significa transformar toda a agricultura em orgânica, não considerando sua menor produtividade, e nem acabar com a indústria e as exportações potencialmente poluidoras, mas sim, criar novas tecnologias, formas de gestão e incentivar padrões de consumo mais saudáveis ao meio ambiente e, especialmente, usar o bom senso.
   E, devido à interdisciplinaridade das questões ambientais, é necessário reforçar a formação dos profissionais que atuam nesse segmento, para que não sejam taxados de neo-protecionistas, nem se acusar setores que têm uma natureza mais agressiva ao meio ambiente, de eco-delinqüentes. 
   Os danos que já foram causados ao meio ambiente, decorrentes da era industrial e dos hábitos predadores dos seres humanos, são irreversíveis. Mesmo assim, é possível e imprescindível minimizar os estragos e prevenir o caos se a Humanidade entender que respeitar a Natureza é um exercício básico de sobrevivência.
   Por fim, ter sempre em mente a nossa responsabilidade em relação ao futuro, lembrando The Brundtland Report, de 1987: “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades.”