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PEDE PRÁ SAIR

Martha E. Ferreira é economista, consultora de negócios, professora, palestrante e articulista
Publicado em A Tribuna - outubro de 2015.

   A maioria dos líderes mundiais abandonou a responsabilidade fiscal, administrou muito mal seu orçamento, endividou seus países e ainda enfrenta estagnação econômica, desemprego recorde e elevados rombos orçamentários. 
   Mas, felizmente, a maioria desses países já apresenta o resultado de um plano consistente de recuperação, ainda que lenta, impondo-se regras rígidas para reduzir gastos públicos, incentivar a poupança interna e investir em projetos sociais e de infra-estrutura. 
   É muito importante observar, também, que muitos deles têm que lidar com milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, conflitos religiosos, guerras intermináveis, ideologias atrasadas, a jihad terrorista e devastadores desastres naturais. Ainda assim, tiveram crescimento do PIB maior do que o do Brasil.
   Portanto, o motivo para o caos brasileiro não é a crise mundial, como quer fazer entender a presidente Dilma, uma vez que não estamos acompanhando essa volta por cima e a nossa participação no mercado internacional é menor do que 1%. 
   E não são guerras, conflitos religiosos, terrorismo ou desastres naturais que arrastam o Brasil para o século passado e sim, a péssima gestão dos governos petistas, a verve criminosa de um determinado grupo político e a passividade de um determinado grupo de eleitores.
   Tanto no governo Lula, quanto no governo Dilma, os gravíssimos problemas de corrupção sistemática, ínfimos investimentos em infra-estrutura, irresponsabilidades fiscais, incompetência e as reformas estruturais postergadas criaram gargalos intransponíveis para desenvolvimento social e crescimento econômico sustentáveis. Isso fez com que o mundo perdesse a confiança no país, levando-o a investir em outras terras, impedindo a criação de novos empregos; geração de renda; e aumento da arrecadação de impostos. 
   Mas os gastos inúteis continuam aumentando. Em 2002, a dívida pública bruta era de R$ 906,267 bilhões e em 2014, ela explodiu para R$ 3.274,7 trilhões. A dívida externa era de R$ 190,8 bilhões em 2002 e, em 2014, atingiu R$ 535,4 bilhões. 
   A má gestão, irresponsabilidade e incompetência dos últimos 12 anos empurraram o Brasil para as piores posições nos rankings mundiais de educação, saúde e segurança. As políticas públicas equivocadas arrasaram sua economia e estão refletidas em seus sucessivos pibinhos. 
   Mas a farra continua. Entre 2002 e 2014, o governo do PT inchou a máquina pública com 39 ministérios bilionários e inúteis, contratou mais de 250 mil novos servidores públicos federais e vem alimentando 23.579 ‘boquinhas’, a maioria delas apadrinhada pelos aliados.
   Esse Brasil do PT tem a maior carga de impostos e a maior taxa de juros do planeta; altíssimo custo de produção; escassez de tecnologia; gargalos de mão-de-obra; apagão da logística; falta de infra-estrutura; violência alarmante; analfabetismo; corrupção pandêmica; câmbio surreal; e o dragão da inflação. E estas, sim, são as verdadeiras razões para o resultado pífio da economia e da desindustrialização. Perdemos em competitividade até para Ruanda!
   O país amanhece a cada 1º de janeiro já inadimplente, apesar das arrecadações recordes. O orçamento federal trilionário não cobre as rubricas constitucionais básicas e então, o desgoverno atravessa o ano trocando as bolas, negociando cargos, enrolando, postergando, fraudando, maquiando, pedalando e, é claro, fracassando.
   O Ministério Público e o Ministro relator do TCU recomendaram a rejeição das contas de 2014 da presidente, dando ao Congresso e à Oposição o argumento final que eles precisam para o impeachment. Dilma faz uma reforma administrativa ‘meia boca’, outorgando seu poder ao PMDB, e se recolhe a funções menores. O clima é de fim de festa.
   Que a presidente se olhe no espelho. E se ainda lhe restar um mínimo de dignidade e amor ao Brasil, há de pedir para sair.